28 de fevereiro de 2010

A Arte em Oncologia: uma iniciativa de louvar!

Foi com grande prazer que eu e a minha maridona participámos na primeira mostra de "Arte em Oncologia", organizada pelo IPO de Coimbra, numa iniciativa que a todos nos proporcionou momentos de inesquecível beleza e alegria. Fica assim provado que uma ida ao IPO não deve ser encarada com aquela "carga pesada" que normalmente as pessoas associam, mas que também (e principalmente) deve ser olhada como algo de belo e positivo, seja na forma da Arte que ali foi exposta, seja pela "Arte" com que os seus profissionais de saúde (médicos, enfermeiros, técnicos e pessoal auxiliar) todos os dias ali dão o seu melhor para nos proporcionar uma vida normal (e o itálico é propositado)!
Assim, na passada sexta-feira, 26 de Fevereiro, o programa era viajarmos até Coimbra ao IPO. Mas, como o dia acordou bonito e algo solarengo, ainda antes de sairmos aproveitei para ir dar a minha corrida da ordem, numa tentativa de recuperar a musculatura perdida e mais tarde a boa forma.


...Figura_01: O je mostrando a (falta de) forma, preparando-me para uma corridinha de 6 km.


...Figura_02: Contrariamente ao que poderão pensar, o Doc (é o cão, para quem não o conhece ainda!) apenas apareceu para a fotografia, já nesta fase final do percurso (coitado! Com os seus 13 anos já não aguenta a minha pedalada... Nem eu!)

Seguimos a meio da tarde para Coimbra, comparecendo desse modo à chamada que nos foi feita para participar na exposição. Foi uma experiência muito interessante, que contou ainda com outra iniciativa: as "Tertúlias em Oncologia". Estas levaram ali um excelente programa temático versando o cancro da mama, seus tratamentos e resultados últimos na investigação utilizando o nosso bem conhecido Fullereno (a famosa molécula C60 com a forma de bola de futebol descoberta em 1985, sendo a terceira forma estável do carbono na Natureza - as outras duas são a grafite e o diamente -, e recebendo esta designação em homenagem ao arquitecto R. Buckminster Fuller pelo seu contributo nas construções dos domos geodésicos muito parecidos com a forma da molécula que deu origem ao fantástico mundo da nanotecnologia! O que eu vos continuo a ensinar, né mesmo?). A Directora da Oncologia, Dra. Helena Gervásio, reuniu uma equipa de outros médicos desta unidade do IPO para levarem a cabo esta iniciativa a que deram o nome de "Arte em Oncologia". Para tal convidaram doentes oncológicos, familiares e alguns profissionais de saúde para levarem um pouco de arte até àquela unidade de saúde, com o intuito de proporcionar alguns momentos de relaxe, descontracção e, principalmente, maior ligação entre todos nós. Claro que eu e a minha maridona também estivemos presentes: eu com uma das minhas artes (qual? Adivinhem...) e ela com a sua (qual? Adivinhem...)
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Pronto, já vi que não adivinharam. Então eu digo-vos (e mostro em algumas fotos). Eu expus alguns objectos de magia e a Zé preparou um mini-jardim, onde expressou imensos sentimentos e emoções relacionadas com toda a temática da doença oncológica. Daí o nome que lhe deu: O jardim dos afectos! Emblemático, certo?


...Figura_03: O je com a Dra. Ana Pais, uma das médicas do serviço de oncologia do IPO (sim! As médicas também podem ser bonitas...) e que foi a responsável pela nossa inscrição no evento. A sua especialidade é o cancro da mama, mas no nosso primeiro contacto "teve o azar" de ter substituído a minha médica oncologista quando me foi detectado o cancro no pulmão, tendo sido ela quem nos deu a (má) notícia. Mas também foi ela quem decidiu avançar com a PET reveladora que desencadeou o processo da cirurgia que efectuei em Agosto último. E desde então tem demonstrado a sua enorme simpatia, com um sorriso encantador que nos dá alma ao coração. Por tudo isso também aqui lhe deixo o meu "Muito obrigado" e um grande bem haja!


...Figura_04: Aqui fiz pose com a minha "médica salvadora" que me tem acompanhado desde o primeiro dia de tratamentos de quimioterapia. É uma das grandes responsáveis pelo milagre que comigo ocorreu e que me mantém neste mundo, a escrever estas memoires... Reparem na força que dela transparece! Obrigado, Dra. Margarida Teixeira!


...Figura_05: O espaço onde foi montada a exposição. Com nível, berdad?


...Figura_06: O discurso de inauguração do espaço, com o Dr. Manuel António (presidente do conselho de administração) e a Dra. Helena Gervásio, responsável pela iniciativa.


...Figura_07: Aspecto do salão com a assistência atenta ao discurso dos oradores.


...Figura_08: Três dos assistentes mais... mais... mais... que estavam presentes na sala: a minha maridona, a nossa amiga Sílvia Teles (sim! ela mesma; é a nossa "Anja Mor") que ali se deslocou propositadamente para estar um pouco connosco (para variar!) e o seu filho Gonçalo!


...Figura_09: A arte do Phil Mount exposta no IPO (sim! Eu sou o Phil Mount e a magia é a minha arte exposta!)


...Figura_10: E aqui o "Jardim de Afectos", com a sua bela criadora preocupada com o futuro das suas plantas..

No final da inauguração, e para encerrar em beleza este final de dia de sexta-feira, fomos todos jantar no Hotel "Quinta das Lágrimas" (essas mesmas derramadas pela bela Inês quando afastada do seu Rei D. Pedro, e que ali mesmo foi assassinada!). Foi um jantar muito saboroso, com a enorme vantagem de, na nossa mesa, terem ficado um grupo de pessoas muito interessante... a começar por mim e pela minha maridona (lol), mas com outras 8 personalidades fantásticas!


...Figura_11: Aspecto da sala de jantar no espaço do Hotel Quinta das Lágrimas, com a multidão presente.


...Figura_12: Três dos elementos da nossa mesa: Edmar Marques (pintor), a sua esposa Domitila Marques e a "Sra. dos Anéis" (Paula Manuela, também doente oncológica)


...Figura_13: Continuação da mesa, ainda com as D. Domitila e D. Paula, o seu marido Carlos Silva e a técnica do sangue Maria João Monteiro, residente na Granja do Ulmeiro e colega da nossa amiga "Abelhinha Catarina". Uma parente minha até este dia desconhecida?


...Figura_14: Novamente a Maria João, a minha maridona Maria José e eu, em mais um brinde na noite, vendo-se ainda ao meu lado uma das simpáticas e bonitas médicas estagiárias, a Judy de Paulo.


...Figura_15: Por último as três médicas da mesa (estagiárias na Oncologia), que além de bonitas se revelaram extremamente simpáticas e comunicativas, partilhando connosco esta noite que também se revelou mágica! É verdade!... Com esta assistência magnífica não resisti e fiz alguns efeitos com cartas na nossa mesa, que rapidamente se tornou o centro das atenções, com as outras mesas com alguma inveja a quererem também assistir! Ah! Falta indicar o seu nome no registo para a posteridade. Mantendo a lógica de sempre, da esquerda para a direita, temos a Judy de Paulo, a Paula Fidalgo e a Rita Canário.
Foi um prazer partilhar com todos vós esta noite, gente boa!


...Figura_16: Mas a animação da noite coube a um grupo de fados de Coimbra que nos encantou com as melodias da velha Aeminium! Claro que a Dra. Helena Gervásio me fez prometer numa próxima também levar alguns efeitos de magia para todos assistirem...

E foi assim que o dia terminou, bem depois da meia-noite, já com a chuva a cair copiosamente dos céus noturnos e escuros, projectando o que seria o dia seguinte: um dia de forte temporal, com ventos a atingir os 160 km/h. Mas nem estes ventos ciclónicos conseguiram afastar de nós a nostalgia daqueles momentos partilhados com todos. Bem hajam, IPO's (ou seja, todos aqueles que ali trabalham)!
Fiquem bem!

2 Comments:

Blogger nela said...

Olá Filipe
É muito bom saber que há pessoas que não se esquecem dos IPOS.
Mas temos que pensar neles com alegria e não como um terror para quem passa por eles como nós.
As caras lindas que por lá passaram são os nossos anjos da guarda sem esses sorrisos não conseguia-mos vencer verdade!!!
Beijinhos
Manuela

07 março, 2010  
Blogger isabel said...

Olá Filipe, um muito obrigado pelos seus comentários e, sobre tudo, pelos seus belos sentimentos para com as pessoas que temos orgulho de trabalhar no IPO.
O lidar dia a dia com estas doenças faz-nos ter momentos de fraqueza, angustia, desespero... Mas, o nosso trabalho torna-se mas gratificante ao obter um sorriso,uma palavra, um comentário de satisfação dos nossos doentes e familiares.
Bem haja.
Isabel Pazos

18 agosto, 2010  

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